O que esconde a fraturaçom hidráulica para a obtençom de gás natural nom convencional

Reproducimos con permiso artigo de X. R. Sampedro aparecido no periódico Novas da Galiza nº 122 (xaneiro de 2013) acerca do fracking, unha técnica recentemente rexeitada polo Parlamento galego:


A Junta manifesta-se “aberta” a instalar na Galiza esta técnica, altamente agressiva para com o ambiente e a saúde pública

O que esconde a “fraturaçom hidráulica para a obtençom de gás natural nom convencional”

Nos começos de dezembro, o Governo autonómico tornava pública, através do diretor-geral da Indústria, Energia e Minas, a sua “aposta decidida na procura de jazigos de gás natural nom convencional”. Ángel Bernardo Tahoces assinalava a vontade da Junta de favorecer no possível as exploraçons do subsolo galego mediante a técnica extrativa conhecida como ‘fraturaçom hidráulica’ ou ‘fracking’, técnica aplicada para a extraçom do ‘gás de xisto’ e que véu sendo objeto dumha dura polémica nos últimos anos, nos Estados Unidos de América e também na Espanha. No nosso país, de momento e que se saiba, a possibilidade deste tipo de extraçons nom passa ainda dum desiderato do governo autonómico, mas a vontade manifesta deste e o facto de já terem começado prospeçons em território espanhol, levam-nos a aprofundar nas conseqüências para o ambiente o ambiente se a ideia prosperasse

O ‘gás de xisto’ é a denominaçom que se dá a pequenas formaçons de gás, com forma de ‘lascas’, no meio de camadas de rochas sedimentares. Ao contrário do que acontece com as grandes bolsas de gás natural, que som exploradas em estruturas extrativas de escala industrial, a ideia por trás da exploraçom do gás de xisto é a de inçar o território de dúzias de pequenas estruturas para ‘aproveitar’ a riqueza do subsolo.

O processo consiste em abrir um poço que penetre na terra uns quatro quilómetros. Este poço ramifica-se em poços horizontais que medem também alguns quilómetros. Por esses poços introduz-se a pressom, empregando umha mistura de água e areia, que vai provocar artificialmente a ‘fratura’ que dá nome ao processo. A pressom nas fendas dentro dos depósitos de rochas sedimentares rebenta esses depósitos, fazendo desmoronar os estratos de rocha, as bolsas de gás libertam-se poço acima, e som recolhidas pola estrutura deste em superfície.

Ora bem, nem umha só das fases do processo tem demonstrado na prática ser segura e/ou inócua para o ambiente e a saúde humana. O que pode ser apresentado polos lobbies do gás como um processo simples e puramente físico, trai consigo umha série de implicaçons químicas e geológicas verdadeiramente graves.

Poluiçom por químicos

A questom fundamental, génese de riscos posteriores, é que esta técnica emprega produtos químicos nocivos. O que as empresas nom dim é que, para maximizarem ganhos e provavelmente como única maneira de fazerem rendíveis as exploraçon, essa água e areia que som injetadas nos poços contenhem misturas de químicos que servem para esboroar a rocha mais rápido. A este respeito, o último relatório do Parlamento Europeu, de outubro de 2012, recolhe os resultados da análise de fluidos empregados em fratura hidráulica na Alemanha: “todos [os fluidos de fraturaçom] contenhem químicos com quocientes de risco por cima significativamente de 1, o que indica que esses químicos som críticos do ponto de vista toxicológico”. E ainda, que “esforços em investigaçom e desenvolvimento substancialmente mais avançados vam ser necessários antes que umha fraturaçom hidráulica sem químicos tóxicos poida ser possível”.

Este relatório confirma resultados semelhantes aos verificados por cientistas independentes (os que conseguem situar-se fora do campo de poder do lobby energético), e que constatam a incidência de “toxinas agudas como o 2-butoxietanol”, “oito substáncias classificadas como cancerígenas conhecidas, como o benzeno e a acrilamida, o óxido de etileno e vários solventes à base de petróleo contendo substáncias aromáticas”, “sete classificadas como mutagénicas”, e “cinco classificadas como tendo efeitos sobre a reproduçom”.

Assim, ficam em nada as alegaçons com que porta-vozes e agentes de relaçons públicas das empresas do setor atribuem a contaminaçom denunciada polos movimentos sociais estado-unidenses à desregulamentaçom e más práticas. Era nessa linha que se pronunciava em dezembro a ‘Plataforma Shale Gas España’, lobby do setor para o estado espanhol. Numha conferência de imprensa, o seu representante Juan Carlos Muñoz dizia que a atividade podia ser “compatível” com a proteçom do ambiente e que a legislaçom espanhola é “das mais garantistas da Europa”.
O qual é como nom dizer nada. Pois Muñoz nem mencionou os químicos tóxicos nem as conclusons dos relatórios da EU, que consignam que “nom existe umha análise completa e detalhada disponível publicamente do quadro regulamentar europeu relativo à extraçom de gás de xisto”, e que o quadro “relativo à fraturaçom hidráulica, que constitui o elemento central da extraçom de gás de xisto, apresenta diversas lacunas”.

Radioatividade e lume nas torneiras

E, como resume a UE, “evitar os químicos tóxicos nos fluidos nom evitará todos os riscos relativos ao refluxo desses fluidos para a superfície, pois virám misturados com águas que amiúdo contenhem substáncias nocivas como metais pesados, ‘materiais radioativos de origem natural’, etc.” O efeito imediato da fraturaçom artificial de rochas na libertaçom de partículas radioativas é dificilmente controlável polas empresas extratoras. As partículas de uránio, rádio ou radónio (este especial e perigosamente presente em solos galegos), ao desintegrarem-se em metais pesados, contaminam com facilidade aquíferos subterráneos e águas superficiais. A curto prazo, a contaminaçom ameaça os trabalhadores em contato mais direto com esses metais. A curto e meio prazo toda a gente estará a consumir metais pesados através das águas contaminadas. A consumir e acumular, dado que esses metais nom podem ser eliminados polo organismo humano. Essa contaminaçom dos aquíferos, neste caso por metano que é libertado mas nom encontra a via de saída polos poços, deu também lugar ao alarmante fenómeno de lares norte-americanos em que a água da torneira pode facilmente tornar-se numha bola de lume — toda umha metáfora da dependência e absoluta entrega aos combustíveis fósseis por parte do modo de produçom dominante.

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